Introdução

     Este ambiente virtual é fruto de um projeto de pesquisa da linha “Novas Tecnologias Aplicadas ao Ensino de Linguagem e Literatura; Cultura e Sociedade” do Programa de Mestrado Profissional em Ensino de Ciências Humanas da Universidade Tecnológica Federal do Paraná, campus Londrina. Considerando todas as atividades que compõem o programa, uma delas prevê a elaboração de um Produto Educacional e a sua respectiva aplicação.

     Sendo assim, o objetivo geral deste projeto é elaborar uma página da internet para o acesso e utilização dos professores de Língua Inglesa atuantes na Educação Infantil e nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental das escolas públicas da região oeste do Paraná, ampliando a proposta de Formação Continuada oferecida pela AMOP, constituindo-se como um Produto Educacional à disposição desses professores.

 

         Os objetivos específicos deste Produto Educacional são:

 

  • Proporcionar um espaço de produção, discussão e interação entre os professores via ambiente virtual;

  • Assessorar os professores atuantes na Educação Infantil no que diz respeito a metodologias de ensino que contemplem as necessidades das crianças pequenas;

  • Proporcionar momentos de interação entre os professores e de aperfeiçoamento das habilidades linguísticas;

  • Provocar mudanças no sistema educacional, começando pelos professores, estimulando o uso efetivo das tecnologias digitais para aprimorar a qualidade do seu trabalho e para tornar suas aulas mais interessantes para os alunos.

 

           O nome atribuído a este ambiente, "Teachers Thinking Together", foi elaborado com objetivo de contemplar a ideia central desse projeto que é favorecer e viabilizar o contato de professores de Língua Inglesa para crianças, para que estes possam de fato, pensar o ensino juntos. Por meio desta ideia de "pensar juntos", espera-se que os docentes possam aperfeiçoar suas práticas de sala de aula e crescer profissionalmente. 

 

 

     Contextualização

 

       Ao assumir o papel de língua global, a Língua Inglesa torna-se uma das mais importantes ferramentas, tanto acadêmicas quanto profissionais. É hoje inquestionavelmente reconhecida como a língua mais importante a ser adquirida na atual comunidade internacional. De acordo com Schütz (2010) este fato é incontestável e parece ser irreversível. O inglês acabou tornando-se o meio de comunicação por excelência tanto do mundo científico como do mundo de negócios. David (2005) corrobora afirmando que:

 

[...] a língua inglesa hoje se caracteriza como o código linguístico apropriado para satisfazer as necessidades e expectativas daqueles que anseiam em participar da comunidade internacional, quem não se utilizar desse instrumento, estará parcialmente excluído [...] (DAVID, 2005, p. 32).

 

        Devido a importância do aprendizado de um segundo idioma, as línguas estrangeiras são hoje consideradas tão essenciais como qualquer outra disciplina do currículo escolar e nesse sentido, há inúmeras publicações nas quais os autores justificam a importância de estudar a língua inglesa não apenas como fator de desenvolvimento intelectual, mas também como ferramenta que amplia os horizontes geográficos, histórico-sociais e humanos dos alunos (DAVID, 2005; ALMEIDA FILHO, 1993).

           A AMOP, Associação dos Municípios do Oeste do Paraná, que atua há cerca de treze anos na região, possui em média cinquenta municípios filiados e todos utilizam o mesmo currículo de conteúdos escolares, ou seja, todos esses municípios encontram-se em sintonia com relação ao que deve ser trabalhado em sala de aula com as crianças. Desses cinquenta municípios, cerca de quinze possuem a disciplina de Língua Inglesa em suas escolas, atendendo turmas da Educação Infantil ao 5º ano do Ensino Fundamental.

 

    Problematização

 

        Ensinar uma língua estrangeira, como qualquer outra disciplina do currículo escolar, requer preparação pedagógica e conhecimento teórico. Diante do contexto em que vivemos hoje, nota-se que o ensino da Língua Inglesa na Educação Infantil e nos Anos Iniciais das escolas públicas precisa de elementos norteadores que venham a atender as especificidades de ensino-aprendizagem dessa faixa etária.

       Os encontros de formação continuada para professores de Língua Inglesa das escolas municipais oferecidos pela AMOP oportunizam a socialização do grupo; momentos de estudos de textos relacionados à docência; trocas de experiências e atividades; enfim, permitem que haja a interação entre os profissionais envolvidos com o ensino da Língua Inglesa nos municípios filiados ao órgão.

       No entanto, considerando que a prática de ensino da Língua Inglesa na Educação Infantil e nos Anos Iniciais é relativamente nova, e que é nessa etapa da vida que se inicia a formação linguística, o ensino de qualquer língua estrangeira deve ser ministrado com seriedade e de forma criteriosa. Logo, observa-se que tais encontros oferecidos atendem parcialmente estas necessidades, pois esses momentos são extremamente pontuais ao longo do ano letivo (cerca de cinco encontros por ano), não correspondendo com a demanda das questões relacionadas à implantação dessa disciplina nas escolas, assim como os anseios e as angústias dos professores.

        Levando em consideração tais argumentos, por meio deste estudo busca-se a pesquisa e o aprofundamento nos conhecimentos a fim de encontrar possíveis respostas com relação à quais conteúdos devem ser abordados e priorizados na Educação Infantil e nos Anos Iniciais; quais especificidades metodológicas o professor dessa faixa etária precisa dominar a fim de não comprometer o processo de alfabetização na língua materna em que essas crianças se encontram; e de que forma pode-se otimizar a interação, a produção de materiais e a troca de experiências entre os professores dos diferentes municípios, uma vez que na maioria dos casos estes são os únicos a lecionarem a Língua Inglesa em suas escolas e não têm com quem socializar ideias e planejamentos.

      Considerando as questões acima citadas e a participação ao longo de dois anos nos encontros de formação continuada oferecidos pela AMOP, juntamente com a atuação na coordenação da disciplina de Língua Inglesa no município de Toledo, permitiu observar e compreender a grande necessidade de ampliar a proposta de formação existente, tornando-a mais dinâmica e acessível aos professores, pois estes possuem uma grande carga horária de trabalho, moram em municípios distantes e os encontros presenciais são realizados apenas em Cascavel.

         Desse modo, acredita-se que a criação e a manutenção de um ambiente virtual de caráter formativo e interacional contribuiria com a formação continuada dos docentes, no sentido de reduzir a distância entre os professores e diminuir os intervalos de tempo que os mesmos ficam sem apoio pedagógico ou sem contato com outros professores de Língua Inglesa.

 

    Fundamentação Teórica

 

     A tecnologia na vida das pessoas não é um acontecimento novo, é quase tão antigo quanto a história da humanidade, e se segue desde quando os seres humanos começaram a usar ferramentas de caça. Uma das definições de tecnologia é que são ferramentas e máquinas que ajudam a resolver problemas, para Moran (1995, p.84) “As tecnologias viabilizam novas formas produtivas”.

        Sem dúvida as tecnologias vêm modificando todas as áreas da sociedade, o impacto é sentido em todas as esferas da vida social, seja no trabalho, no lazer, nas relações pessoais, principalmente na maneira como nos comunicamos. E esse fenômeno não passa despercebido na escola. A instituição de ensino também apresenta a necessidade de se modificar e a internet, por exemplo, é a principal ferramenta para este crescimento. Dal Molin (2003) explica a importância da tecnologia:

 

Num mundo em transformação, no qual a tecnologia, dia a dia, é o link da mente e um instrumento essencial de trabalho, as instituições de ensino não podem preparar os futuros profissionais para um mundo de subalternidade, tanto do ponto de vista individual quanto na perspectiva do coletivo. Enfatizamos, portanto, que a inclusão digital significa muito mais do que ensinar o emprego da tecnologia ou disponibilizar o acesso à rede: faz-se necessário um trabalho sério e aprofundado a fim de conhecer as demandas relativas à capacitação dos cidadãos para a lida com a tecnologia (DAL MOLIN, 2003, p.56).

 

         Cientes da influência e da necessidade das tecnologias no ensino, a formação continuada para professores não pode se eximir disso. Pelo contrário, essa deve fazer uso constante desses recursos para cada vez mais deixar os profissionais da educação familiarizados com ela, percebendo a sua aplicabilidade na escola e na sua própria capacitação enquanto professor. Para Szewczyk (2005), o professor tem que fazer sua parte:

          É preciso que o professor reconheça a importância de sua própria formação, buscando aprimoramento continuado para fazer frente às exigências do mundo atual, o que pode ser feito por iniciativa pessoal, através de estudos e cursos, ou acompanhando as formações propiciadas pelo sistema educacional. Quando o professor reconhece o quanto seu trabalho pode criar oportunidades para que seus alunos possam melhor desempenhar seu papel como cidadãos do mundo, este pode ser desenvolvido com mais entusiasmo e criatividade (SZEWCZYK, 2005, p.186).

      Pensando no contexto do dia-a-dia do professor, onde as leituras e os estudos são essenciais à sua prática, antecedendo e precedendo a mesma, a possibilidade de uma formação continuada a distância, via Internet, otimiza o tempo do profissional, uma vez que a possibilidade de acessar e interagir com o conhecimento previamente construído pelo grupo está a um clique de distância. Ludovico & Dal Molin corroboram:

 

[...] cursos à distância podem alcançar um grande número de interessados podendo fazê-los sem a rigidez do tempo e nem da clausura do lugar. Uma dinâmica que só um ensino a distância pode proporcionar: um curso com a integração de mídias interativas dando a oportunidade para que os cursistas estudem, reflitam, produzam e realizem suas tarefas no melhor momento para cada um (LUDOVICO & DAL MOLIN, 2013, p.5).

 

       Em linhas gerais, no pensamento de Nóvoa (1991), uma proposta de formação continuada deve estar articulada com o desempenho profissional dos professores, tomando o ambiente escolar como referência. Com efeito, Garcia (1997) conclui que um espaço para formação centrado na atividade cotidiana da sala de aula, próxima dos reais problemas dos professores, assume uma dimensão participativa, flexível e investigadora, características fundamentais à ação docente.

 

   Resultados Esperados

 

        Por meio da criação e manutenção deste Produto Educacional, espera-se oportunizar aos professores de forma mais abrangente e constante a reflexão sobre as suas práticas de ensino, oferecendo um recurso que servirá de auxílio para nortear as ações e o planejamento dos conteúdos, considerando a nova relação do saber e a realidade dos alunos que encontramos nas salas de aula hoje. Por fim, espera-se que os profissionais que atuam na área tenham oportunidade de aperfeiçoamento na língua em si, possibilidade de interação com outros professores e obtenção de novas estratégias de ensino que venham de encontro com as suas necessidades enquanto docentes.

 

       Referências

 

ALMEIDA FILHO, J. C. P. Dimensões Comunicativas no Ensino de Línguas. Campinas: Pontes Editores, 1993;

DAL MOLIN, Beatriz Helena. Do tear à tela: uma tessitura de linguagens e sentidos para o processo de aprendência. Tese de Doutorado, Florianópolis, UFSC/CTE, 2003;

DAVID, Patricia D. O inglês no mundo: língua de prestígio. Revista Trama – volume I – número 2 –– 2º semestre. Marechal Candido Rondon: UNIOESTE, 2005;

GARCIA, Carlos Marcelo. Pesquisa sobre formação de professores – O conhecimento sobre o aprender e ensinar. Tradução de Lólio Lourenço de Oliveira. XX Reunião Anual da ANPED, Caxambu, 1997;

LUDOVICO, F. M.. DAL MOLIN, B. H.. EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA: uma avaliação: 1º Congresso de educação da FAG: Formando Educadores para a Diversidade. ISSN: 2013;

MORAN, José Manuel. Tecnologia Educacional: Novas tecnologias e o re-encantamento do mundo. Rio de Janeiro, vol. 23, n.126, setembro-outubro 1995, p. 24-26;

MOTTER, Rose Maria Belim at all. Formação de professores de inglês na era da cibercultura. In: Conhecimento e ciberespaço: tessituras de sentido. Cascavel, Edunioeste, 2011;

MOTTER, Rose Maria Belim. MY WAY: um método para o ensino-aprendizagem para língua inglesa. 2013. 281f. Tese de doutorado em Engenharia e Gestão do Conhecimento. Programa de Pós-Graduação em Engenharia e Gestão do Conhecimento – Mídia do Conhecimento, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2013;

NÓVOA, Antônio. Concepções e práticas da formação contínua de professores: In: Nóvoa A. (org.). Formação contínua de professores: realidade e perspectivas. Portugal:

Universidade de Aveiro, 1991;

PRENSKY, Marc. Digital Natives, Digital Immigrants. MCB University Press, Vol. 9 No. 5, October 2001: Marc Prensky;

SCHÜTZ, Ricardo. História da Língua Inglesa. Disponível em: http://www.sk.com.br/sk-enhis.html. Acesso em: 05 de abril de 2014;

SZEWCZYK, Sonia. Teorias e Fazeres na Escola em Mudança: Ensino de língua estrangeira: entraves e possibilidades. Porto Alegre: Editora da UFRGS/ Núcleo de Integração Universidade & Escola da PROREXT/UFRGS, 2005;

THIOLLENT, M. Metodologia da pesquisa-ação, 17. ed. São Paulo, Editora Cortez, 2009.

 

 

Professora Pesquisadora: Profª. Mestranda Jéssica Eluan Martinelli Bell’Aver.

Professora Orientadora: Profª. Drª. Alessandra Dutra.